Pensando em uma espiritualidade para a juventude contemporânea #FaltadeTempo

por Daniel Bravo

A categoria espiritualidade possui inúmeras definições. Entretanto, no geral ela sempre está relacionada à experiência de contato entre o homem e o divino e/ou na construção do auto-conhecimento. Sem dúvida alguma, esse é um assunto que deve estar presente em nossas conversas e debates, porém mais proveitoso ainda é trazer à discussão uma espiritualidade que fale de vida.

Para falar de vida é necessário que se fale de Deus, pois é através da Sua criatividade que a vida existe e nos foi dada para que dela desfrutemos. Portanto, falar de espiritualidade na contemporaneidade é falar do jeito como se vê a vida. E se vida é uma ideia divina, é preciso que estabeleçamos um diálogo entre a visão que Deus tem da vida e a forma como ela nos tem sido apresentada. Penso que compreender a importância dessa reflexão é determinante para que a juventude consiga experimentar o que é a vida em abundância.

Sobre ser contemporâneo, existem, a meu ver, duas questões que afetam diretamente a espiritualidade da juventude brasileira. Começo pela nossa “falta de tempo”. Estamos sempre ocupados. Acordamos cedo, mas já é tarde. Apertamos o passo para dar conta de tudo em um dia normalmente cheio. A rigor, são todas atividades válidas, reuniões, cursos, palestras e mais uma infinidade de ocupações às quais nos agregamos. De fato nossas rotinas são muito pesadas. As exigências do mercado de trabalho nos pedem que corramos cada vez mais rápido. Não podemos deixar os minutos seguirem seu próprio andamento, pois uma sábia utilização deles pode nos proporcionar grandes conquistas. E assim passamos a nos tornar senhores do tempo, pois adquirimos o poder de o adequá-lo às nossas demandas. Com o controle nas mãos determinamos quantas horas temos que dormir ou mesmo se precismos almoçar ou jantar. Estamos sempre correndo. No entanto, essa correria pode nos custar caro demais. Atualmente, o estresse decorrente do excesso de trabalho tem afastado muitos trabalhadores e gerado episódios depressivos recorrentes que encabeçam a lista de transtornos mentais e comportamentais que mais afastaram pessoas no ano passado. Além do trabalho, há a incansável rotina de estudantes que lutam por uma vaga nas faculdades públicas, ou mesmo aqueles que buscam a especialização na sua área de atuação. Assim essa rotina pode trazer sérios problemas de saúde. É claro que trabalhar e estudar não são o problema em si. O problema reside em pisarmos fundo demais no acelerador e perdermos o controle da vida. Por isso, faço coro com o cantor Lenine e digo que “enquanto o tempo acelera e pede pressa, eu me recuso, faço hora vou na valsa, a vida é tão rara”. Não é preciso parar, apenas “desacelerar”. E para desacelerar, lembre-se que Deus cuida de nós e supre todas as nossas necessidades, mesmo quando estamos dormindo (Salmo 127.2).

Continua.

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