Pensando em uma espiritualidade para a juventude contemporânea #Intimidade

por Daniel Bravo

Em nossos dias, outra questão que está ainda mais presente na rotina dos nossos jovens, mas de forma totalmente deturpada, é a intimidade. Nunca uma geração mostrou-se tanto como essa. Vemos isso nos reality shows que são certeza de audiência. A cada ano centenas de jovens disputam algumas vagas para que durante alguns dias estejam com sua privacidade totalmente exposta para milhões de pessoas. E mesmo quando a TV não tem interesse, ainda restam as webcams ligadas e conectadas ao mundo inteiro.

Recentemente, um casal de adolescentes foi parar nos noticiários por transmitir pela webcam, para quem quisesse ver, cenas de sexo explícito entre ambos. Obviamente, essa intimidade não gera vida. Um pastor amigo, Valdemar Figueiredo Filho, diz que a vida é “encontro”. Partindo dessa ideia, o encontro existe na intimidade, mas não na intimidade do corpo, e sim na do coração. Porém, esse vital encontro tem sido cada vez mais raro. Uma triste marca do nosso tempo é a superficialidade.

Algo característico da nossa época e que cresce assustadoramente são as redes sociais. Embora seus benefícios sejam muitos, não podemos negar que elas estão relacionadas diretamente com esse mal. É comum alguém que você não conhece o adicionar no Orkut ou segui-lo no Twitter. Não sou contra as redes, sou a favor. Porém, precisamos utilizar cada uma delas com equilíbrio. A noção de conhecimento está confinada ao mínimo contato possível. Nunca nos relacionamos tanto. Na verdade, o que fazemos não passa de uma infinidade de contatos e de uma pobreza de relacionamentos. Mas para vencer a superficialidade temos que, antes de tudo, sermos íntimos de nós mesmos e cantar com Milton Nascimento: “Longe se vai sonhando demais, mas onde se chega assim, vou descobrir o que me faz sentir, eu, caçador de mim”. As descobertas que fizermos sobre nós mesmos, só podem, no entanto, ser reais quando nos abrimos para o conhecimento que Deus tem acerca de nós (Salmo 139). Quando o encontro com Ele nos proporciona o exame sobre as profundidades do nosso interior, é que podemos nos expor com autenticidade e integridade e assim vencer a solidão e o vazio dos nossos relacionamentos. Afinal, como falarmos para alguém de algo que não conhecemos?

Encerro com uma frase do Ariovaldo Ramos que nos reporta para o nosso lugar: “nós nos supomos, mas Deus nos conhece”

Anúncios